Buscas em 66 endereços revelam esquema bilionário de descontos irregulares em aposentadorias
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (9) uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes bilionárias no INSS, com foco em descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Ao todo, 66 mandados de busca e apreensão, autorizados pelo ministro do STF André Mendonça, foram cumpridos em oito estados e no Distrito Federal, com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU). Um dos principais alvos foi a sede do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), em São Paulo, entidade na qual José Ferreira da Silva, o Frei Chico – irmão mais velho do presidente Lula (PT) –, ocupa o cargo de vice-presidente. O esquema sob investigação, que teria movimentado R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024, envolve inserção de dados falsos em sistemas oficiais e formação de organização criminosa.
O Sindnapi, presidido por Milton Baptista de Souza Filho – que depõe hoje na CPMI do INSS em Brasília –, já era alvo de suspeitas por bater recorde de arrecadação de mensalidades associativas em 2023, via descontos automáticos no INSS. A CGU acusa o sindicato de omitir, em declaração ao instituto, o parentesco de Frei Chico com o presidente da República, o que violaria regras que proíbem dirigentes ligados a agentes públicos em entidades conveniadas para descontos. “Essa omissão criou um ambiente de aparente regularidade, induzindo os órgãos a erro e dificultando a fiscalização”, afirma o relatório da CGU enviado à CPMI. Agentes da PF chegaram à sede do sindicato por volta das 6h, com viaturas bloqueando a entrada, enquanto diretores eram surpreendidos em suas residências. Frei Chico não é formalmente investigado nesta fase, mas sua presença na diretoria reacende polêmicas sobre influência familiar no governo petista.
Em nota, o Sindnapi se disse “surpreso” com as buscas e prometeu comprovar a legalidade de suas ações, destacando serviços como seguros de vida e atendimento à saúde como justificativa para o crescimento de filiados. Frei Chico, por sua vez, adotou tom sereno ao comentar o caso: “Deixa investigar”, limitou-se a dizer, evitando detalhes. A defesa do presidente do sindicato reforça que a entidade apoia apurações transparentes e nega qualquer irregularidade nos repasses de R$ 154 milhões citados na CPMI. A operação ocorre em meio a tensões políticas, com opositores de Lula usando o episódio para questionar a lisura de associações ligadas ao PT, enquanto o Planalto mantém silêncio oficial. As investigações prosseguem, com expectativa de mais revelações sobre o desvio de recursos de aposentados vulneráveis.
Redação





























