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PROPINA VIA PIX E LICITAÇÕES VICIADAS: MP DESMASCARA ESQUEMA DE DESVIOS MILIONÁRIOS EM OBRAS DE PONTES EM BONITO

Ponte São Geraldo - Fonte: Prefeitura de Bonito

Investigação da ‘Águas Turvas’ revela que Secretário de Finanças exigia suborno de empreiteiros, comprometendo a segurança da infraestrutura viária da capital do ecoturismo.

Propina em Pix e Redes de Laranjas: O Meticuloso Desvio nas Obras de Bonito. A Operação “Águas Turvas” do Gecoc/MPMS não apenas revelou a corrupção na Prefeitura de Bonito (MS), mas detalhou a engenharia financeira criminosa por trás dela, com foco em contratos de obras e serviços de engenharia que somam R$ 4,3 milhões. O inquérito aponta que o esquema, que atua desde 2021, utilizava a “corrupção ativa e passiva” como motor: agentes públicos, como o Secretário de Finanças preso e exonerado, garantiam o direcionamento de licitações para empresas do grupo criminoso por meio de simulação de concorrência e exigências específicas nos editais. A contrapartida era o pagamento de propinas, com provas de que o Secretário utilizava terceiros, os chamados “laranjas”, e até mesmo o sistema Pix para receber os valores ilícitos, chegando a negociar reuniões para “acertar a propina” após liberar pagamentos das obras.

Embora as investigações atinjam uma ampla gama de serviços de engenharia, a situação das pontes de Bonito é emblemática. Um dos empresários investigados, já preso em outras operações de fraude, mantém contratos milionários (cerca de R$ 3 milhões) em obras com a prefeitura, incluindo serviços de infraestrutura viária onde pontes são componentes essenciais. Isso levanta a crítica de que o dinheiro desviado via propina e fraudes não só inflou artificialmente os custos, mas pode ter comprometido a execução e a segurança dessas estruturas cruciais — como as pontes na MS-345 ou aquelas que exigem reparos constantes, a exemplo da Ponte da Fazenda São Geraldo. Em última instância, os desvios e propinas minam o esforço do município em garantir uma infraestrutura turística segura e duradoura, transformando a urgente necessidade de pontes confiáveis em um mero balcão de negócios ilícitos para o grupo criminoso.

Por: Paola Rossato

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