Linha férrea vai atender exclusivamente a empresa
A Arauco, empresa de celulose, deu início à implantação do ramal ferroviário em suas instalações na cidade de Inocência, no interior de Mato Grosso do Sul. A linha será privada e está sendo instalada para atender exclusivamente a futura fábrica de celulose, com papel estratégico para o transporte de insumos produzidos na unidade.
A linha férrea terá 47 quilômetros e conectará diretamente a planta à malha norte da Rumo, criando um corredor logístico que permitirá que a produção siga, de trem, até o Porto de Santos, de onde será enviada para mercados internacionais estratégicos. O trajeto será paralelo às rodovias MS-377 e MS-240, atravessando cerca de 40 propriedades rurais de Inocência.
Para garantir a segurança e preservar os acessos às propriedades vizinhas, o projeto prevê a construção de passagens inferiores e superiores, além de remanejamentos viários e ajustes específicos para a travessia de animais. No ponto onde a ferrovia atinge o córrego São Mateus, será construída uma ponte de 270 metros, para reduzir a movimentação de solo e a supressão vegetal.
Para a construção da linha, a empresa recebeu uma DUP (Declaração de Utilidade Pública), concedida pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), além de manter diálogo com proprietários rurais impactados e autoridades locais. As obras de infraestrutura serão iniciadas em áreas nas quais as negociações já foram concluídas.
Regularização da linha ferroviária
Para dar início à implantação da linha férrea, a documentação inclui concessões da ANTT, que habilitam formalmente a empresa a construir e integrar o trecho à malha ferroviária nacional. Alguns desses documentos são: a autorização para atuar como ATF (agente transportador ferroviário) e a emissão da DUP (Declaração de Utilidade Pública). Esses documentos viabilizam as desapropriações e servidões administrativas indispensáveis à implantação da via permanente e de obras especiais, como pontes e viadutos.
O projeto obteve, ainda, as licenças ambientais que atestam a viabilidade do traçado e autorizam o início das obras civis e, também, a ASV (Autorização para Supressão Vegetal), contemplando medidas de manejo de fauna, compensação florestal e controle de áreas sensíveis. O projeto está enquadrado no Reidi (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura), que garante a suspensão de tributos federais incidentes sobre bens e serviços destinados à infraestrutura ferroviária.
Compensação ambiental
A Arauco firmou, em 11 de novembro, um Termo de Compromisso de Compensação Ambiental com o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), que estabelece investimentos de R$ 4,3 milhões, ao longo de 24 meses, em iniciativas de recuperação e conservação ambiental na região de influência do projeto. As ações serão definidas em diálogo técnico com o instituto.
Rotas utilizadas pela celulose não comportam volume
O transporte de peças e produtos destinados às obras e fábricas de celulose em Mato Grosso do Sul é sempre alvo de reclamações de motoristas, que relatam congestionamentos em rodovias. No início de novembro, o Jornal Midiamax chegou a noticiar que um comboio de carga superdimensionada provocou cerca de 5 km de congestionamento na BR-262, entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo, segundo motoristas que registraram a lentidão.
As peças, conforme os relatos, seriam destinadas a estruturas ligadas ao setor de celulose. O episódio reforça um problema frequente registrado em rotas usadas pelas gigantes da celulose, devido ao fato de as rodovias não suportarem o volume e tamanho das cargas, ocasionando congestionamentos.
Fonte: Midiamax





























