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Gaeco acusa Neno Razuk de transformar gabinete na Alems em ponto de apoio do jogo do bicho

Gabinete de Neno Razuk na Alems seria base para o crime organizado, diz Gaeco. (Arquivo, Marcos Ermínio, Jornal Midiamax)

Ex-deputado estadual está preso há um mês e aguarda julgamento do STJ sobre pedido de liberdade

Preso por lavagem de dinheiro e exploração do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul, o ex-deputado Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk, é acusado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) de ter transformado seu gabinete na Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul) em ponto de apoio para o crime organizado.

Conforme decisão do ministro Carlos Pires Brandão, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), a denúncia aponta que o ex-parlamentar abrigou corréus da Operação Successione na estrutura pública e usou as dependências do mandato para viabilizar as atividades do grupo.

Os advogados de Razuk alegaram que a decretação da prisão feita por juiz de 1ª instância deve ser anulada, já que o ‘foro privilegiado’ do então deputado deveria ter sido analisado pelo TJMS (Tribunal de Justiça de MS).

Apesar da investida, o pedido liminar para libertar o ex-parlamentar foi indeferido pelo relator no STJ, ministro Carlos Pires Brandão. O magistrado destacou que as alegações de incompetência do juízo exigem uma análise minuciosa dos autos e sustentou a decisão de manter o processo sob trâmite regul

Defesa tenta usar acusação de ligação do mandato de Neno com o crime organizado para tirá-lo da cadeia. (Reprodução)

O caso será julgado pela Sexta Turma do STJ em sessão virtual a partir de 17 de setembro. O advogado de Neno, Ricardo Souza Pereira, informou ao Jornal Midiamax que vai recorrer da ‘decisão monocrática’.

A reportagem tentou obter posicionamento da Alems sobre o uso da estrutura física do prédio público para o crime, mas não obtivemos resposta até o momento.

Fugiu para a Bolívia após perder o mandato

Neno Razuk foi detido no dia 2 de agosto, na região de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Na época, havia um mandado de prisão em aberto contra ele no Brasil e um pedido em análise para inclusão de seu nome na lista da Interpol (Difusão Vermelha da Organização Internacional de Polícia Criminal).

Conforme as investigações, Neno fugiu para a Bolívia depois de perder seu mandato de deputado estadual, em maio, após a Justiça Eleitoral anular votos de dois candidatos do partido de Neno: Loester Trutis e Raquele Trutis.

Segundo nota emitida pela Polícia Federal, a localização ocorreu por meio de monitoramento conjunto com autoridades bolivianas. A defesa, em contrapartida, afirma que o ex-deputado já havia combinado sua apresentação ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e estava em deslocamento para o Brasil.

O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) denunciou Neno Razuk, seu pai — o ex-deputado federal Roberto Razuk, que cumpre prisão domiciliar — e seus irmãos Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk, que também estão presos.

A denúncia, protocolada em dezembro de 2025 e aceita pela 4ª Vara Criminal de Campo Grande em janeiro de 2026, é um desdobramento da 4ª fase da Operação Successione.

Fonte: Midiamax

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