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Acusado de desvio de R$ 11 milhões diz que MPMS baseou-se em conversas de WhatsApp

Sede da Zellitec em Campo Grande e detalhe para dinheiro apreendido pelo Gaeco (Reprodução)

Réu aponta supostas falhas na denúncia de esquema que desviou dinheiro da merenda escolar em Água Clara

Ao negar as acusações de integrar esquema criminoso que teria supostamente desviado R$ 11 milhões da merenda escolar de Água Clara, cidade a 190 km de Campo Grande, Leonardo Antônio Siqueira Machado diz que a acusação do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) baseou-se em menções em conversas no WhatsApp, bem como em participações em grupos na rede social e pela sua posição como funcionário de confiança em uma das empresas implicadas.

A ação penal faz parte das investigações da Operação Malebolge, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), que apurou desvios de R$ 11 milhões na merenda escolas do município de Água Clara, administrado pela prefeita Gerolina (PSDB).

Conforme as investigações, empresários pagavam servidores para fraudar as licitações e ganhar contratos milionários. O Gaeco também afirma que a empresa em que o réu trabalhava entregava alimentos estragados para crianças comerem.

Consta na denúncia do MP que Leonardo seria empresário e ‘funcionário proeminente’ da Zellitec Comércio de Produtos Alimentícios Ltda (CNPJ 10.144.274/0001-08). Ainda que ele seria o responsável por levar a propina a servidores.

No entanto, a defesa de Leonardo alega que a denúncia feita pelo MPMS ‘embaralha e dificulta’ o direito de ampla defesa do acusado. “Ao longo de quase trezentas páginas a denúncia busca inseri-lo na suposta prática de vários tipos penais que teriam ocorrido repetidas vezes, sem, contudo, explicar minimamente ao douto juízo de maneira clara e concisa suas circunstâncias”.

Então, o réu afirma que não há indícios que o liguem aos crimes apontados pelo MP (integrar organização criminosa, fraudar licitação, peculato e corrupção). “A mera menção em conversas, o fato de constar em grupos de WhatsApp ou a posição em uma empresa não são, por si só, suficientes para configurar a prática de crimes tão graves como os imputados”.

Empresa que fraudou licitação entregava alimentos podres para merenda de crianças em MS

Empresa entregava alimentos estragados para merenda de crianças (Reprodução)

Conforme o Gaeco, além de fraudar licitação, a Zellitec entregava alimentos estragados ou vencidos em escolas municipais de Água Clara.

O descrito em trecho do relatório, acima, indica que os alimentos já quase impróprios para o consumo deviam abastecer as prateleiras de cozinhas instaladas nas escolas municipais. Ou seja, seria a merenda dos alunos.

A dona da carga, diz o documento, era a empresa Zellitec Comércio de Produtos Alimentícios, que vencia as licitações de modo fraudulento.

Diz o relatório do Gaeco: “a Zellitec Comércio de Produtos Alimentícios não possui condições reais de atender contratos de grande vulto, como os conquistados no município de Água Clara, reforçando o fato de que sua atuação é sustentada por falcatruas e esquemas criminosos”.

Para o MP, a empresa “sobrevivia à base de esquemas”, vencendo licitações fraudulentas mediante pagamento de propinas a servidores.

O dono da Zelitec, Mayro Mayer da Silva, informou à Justiça que fechou as atividades da empresa.

Malebolge

Mediante recebimento de propina, servidores atestavam ter recebido produtos e serviços que nunca foram realizados, além de acelerar trâmites para emissão de notas frias a fim de agilizar pagamentos a empresários.

O esquema foi revelado a partir da apreensão de celulares na Operação Turn Off, que evidenciou fraudes na saúde e educação, no montante de R$ 68 milhões, implicando empresários, secretário e servidores.

“Malebolge”, termo que dá nome à operação, é uma referência à “Divina Comédia”, obra clássica de Dante Alighieri, que descreve a jornada de um homem pelos reinos do inferno, purgatório e paraíso. Dentro do inferno, o “Malebolge” é a região onde os fraudadores e corruptos são punidos conforme a gravidade de seus pecados.

Fonte; Midiamax

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