Unidade policial existe há nove anos e já conseguiu farejar apreensão de meia tonelada de cocaína
É crescente em todo Brasil a implantação de novas unidades policiais formadas por cães farejadores. Existem em 19 dos 26 estados brasileiros. Só em São Paulo, a maior metrópole do país, são cerca de 259 em atuação, em 26 canis.
O município de Aquidauana está inserido nesse contexto de crescimento nacional, com um canil existente há nove anos. Os resultados são altamente positivos, a ponto dos pastores-alemães Pacu e Cwiff, terem contribuído com a localização de meia tonelada de skunk (maconha mais forte) e cocaína, escondida em uma carreta boliviana, no final de 2024, no município de Anastácio/MS.
Além disso, o Canil Setorial de Aquidauana faz parte de um projeto inédito no Brasil, de ajudar as vítimas de crimes violentos a prestar depoimentos no Poder Judiciário. A iniciativa foi do juiz de direito, meritíssimo Luciano Pedro Beladelli, da Comarca de Anastácio/MS.
Os cães sensibilizam crianças e mulheres vítimas de crimes hediondos, fragilizadas no momento de prestar depoimento e reviver lembranças indesejadas. “Em contato com os cães, há um desvio temporário de atenção e descontração por parte das vítimas e tudo isso ajuda na oitiva das pessoas”, resume o juiz.
O Jornal O Pantaneiro foi até o canil e conseguiu entrevista exclusiva com a Tenente PM Rondon, comandante da unidade. O Canil faz parte do 7º Batalhão de Polícia Militar de Aquidauana, comanda pelo Tenente-Coronel Willian Nascimento.
Atualmente seis cães (quatro machos e duas fêmeas) fazem parte do efetivo da unidade, em Aquidauana. Mantido com convênio com a Prefeitura, que fornece profissional para limpeza e alimentação diária dos animais, o Canil está localizado na Rua José Duarte, 480, bairro Santa Terezinha.
A pastora alemã Fênix e a pastora Belga Malinois Hera, são as fêmeas, enquanto os machos são os pastores-alemães Cwiff e Pacu, o Border Collie Zeck e o Golden Retriever Barth.
A atividade principal é farejar drogas, seja em área externa, nas ruas, ou em áreas internas, como em residências, depósitos ou presídios. Mas é crescente a utilização dos cães em localização de pessoas e investigações policiais.
Estão sendo utilizados, também, pela Polícia Científica, para detecção de vestígios biológicos em perícias criminais. O Mani, por exemplo, é o único do Brasil, treinado para ajudar a Polícia Científica e farejar sangue.
Em Aquidauana, “da mesma forma que os cães são utilizados na função operacional, na busca de entorpecentes, são também utilizados para cinoterapia, prática terapêutica que utiliza a interação com cães para promover benefícios físicos, emocionais e psicológicos em pacientes”, explica a Tenente Rondon.
Ela informa que “esses cães são certificados, selecionados através do adestramento, grande parte deles vem da Confederação Brasileira de Cinofilia, então todos eles têm o certificado, são cães, às vezes, filhos de competidores ao nível de Brasil, e hoje eles são da carga da Polícia Militar, então eles fazem parte da Polícia Militar”.
Ao ser questionada se, a exemplo do que acontece com policiais humanos, há cães condecorados em Mato grosso do Sul, a tenente esclareceu que não há notícias deste reconhecimento por parte dos poderes constituídos.
Em São Paulo, a Deputada Estadual, Letícia Aguiar (PL), apresentou Projeto e cvonsguiu aprovação para ser Lei, número 18.017/2024, o Dia do Cão Policial, comemorado todo dia 15 de junho.
Em Aquidauana, no dia a dia, os cães são tratados como “parceiros” na área militar. “A gente desenvolve também aquele sentimento de proteção, aquele sentimento de amizade, tal como para um colega humano de trabalho”, resume a Tenente Rondon.
Fazem parte da equipe, o Cabo Damasceno, o Cabo Vasconcelos e a soldado F. Santos, que está na condição de estagiária. Generosamente, a equipe aceitou fazer uma simulação de atendimento de ocorrência com os cães. O comando foi dado e eles, imediatamente, entraram na viatura, em compartimento especial.

Cães vão para operações em compartimento adaptado de viatura policial (Foto: Ryan Santos)
“O Comando é a palavra Canil, assim eles já sabem que vão trabalhar e a recompensa é sempre a bolinha de borracha que eles querem, no final do trabalho”, explica o Cabo Damaceno, que atua no Canil desde 2020.
O retorno é sempre com eficiência do dever cumprido. “Graças a Deus estamos tendo benefícios em relação a isso, uma equipe muito bem ativa com canil estruturado e eu me sinto gratificada por isso”, expressa a Tenente Rondon.
Fonte: opantaneiro.com.br





























