Operação Laços Ocultos revela fraudes em licitações e desvios de R$ 78 milhões na Prefeitura de Amambai
A Operação Laços Ocultos, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul em 2023, expôs um esquema familiar de corrupção na Prefeitura de Amambai que teria desviado pelo menos R$ 78 milhões em recursos públicos por meio de fraudes em licitações de obras e serviços de engenharia. O ex-vice-prefeito e atual vereador Valter Brito da Silva (PSDB), apontado como líder da organização criminosa, envolveu parentes diretos no golpe, incluindo uma arquiteta da família que recebeu R$ 474 mil em pagamentos suspeitos de superfaturamento e inexecução de projetos. A ação, que cumpriu seis prisões preventivas e 44 mandados de busca em Amambai, Campo Grande, Bela Vista, Naviraí e até em Itajaí (SC), baseou-se em perícias técnicas que identificaram irregularidades em contratos firmados principalmente com empresas ligadas aos investigados.
O grupo, composto por 17 pessoas com laços de parentesco, atuava desde 2017, quando Valter assumiu o cargo de vice-prefeito, favorecendo companhias como a C&C Construtora, controlada por familiares, em oito contratos milionários com o município. A arquiteta, sobrinha de Valter e sócia oculta em uma das firmas, foi beneficiada com repasses que não correspondiam à execução real das obras, configurando enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro. Investigações do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) revelaram que o ex-vice teria embolsado mais de R$ 5 milhões em propinas, enquanto maços de dinheiro foram flagrados em residências dos envolvidos, evidenciando o luxo financiado pelo erário público. Denúncias por organização criminosa e corrupção foram oferecidas em dezembro de 2023, tornando os acusados réus na Vara Criminal de Amambai.
A defesa dos investigados, incluindo a da arquiteta e do genro de Valter, alega que os pagamentos eram legítimos, decorrentes de locação de equipamentos e serviços devidamente prestados, e busca anular as medidas cautelares impostas pelo juiz Daniel Raymundo da Matta. No entanto, o Ministério Público, por meio dos promotores Adriano Lobo Viana de Resende e Humberto Lapa Ferri, reforça que os “laços ocultos” de sangue facilitaram a ocultação de sócios e a perpetuação do esquema, prejudicando obras essenciais para a população de Amambai. O caso reacende debates sobre a influência familiar na gestão pública sul-mato-grossense, com expectativa de julgamento em breve e possível recuperação dos valores desviados para os cofres municipais.
Redação





























