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CPI do Transporte em Campo Grande Avança com Investimentos e Soluções em Debate

Pappy e vereadores da Câmara Municipal

Após reunião reservada da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Transporte Coletivo de Campo Grande, os vereadores Papy, presidente da Câmara Municipal, Dr. Lívio e Coringa apresentaram um balanço das ações realizadas. A comissão, instaurada para investigar irregularidades no sistema de transporte público, já destinou mais de R$ 100 mil à contratação de escritórios especializados em advocacia e contabilidade, com o objetivo de analisar milhares de páginas de documentos contábeis para a elaboração do relatório final.

“Estamos lidando com um volume expressivo de informações. Contratamos esses serviços para garantir um relatório técnico e preciso, que será fundamental para apontar responsabilidades e propor melhorias”, declarou Papy. Os nomes dos escritórios contratados não foram divulgados, mas os vereadores afirmaram que os profissionais já estão trabalhando nos requerimentos e na análise detalhada dos dados.

Novas Oitivas e Resultados Práticos

Sobre a possibilidade de convocar Paulo Constantino, presidente do Consórcio Guaicurus, que não compareceu a uma oitiva recente por motivos médicos, Dr. Lívio destacou que a decisão será avaliada. “O depoimento do diretor Leonardo, do consórcio, foi esclarecedor e trouxe novos dados. No momento, não vemos necessidade imediata de convocar Constantino, mas não descartamos essa possibilidade”, explicou.

Lívio também enfatizou os primeiros resultados da CPI, como o aumento da fiscalização sobre o Consórcio Guaicurus desde a abertura da investigação. “O próprio diretor admitiu que a pressão da CPI intensificou a fiscalização, e multas já foram aplicadas. Além disso, as agências reguladoras estão revisando seus processos, o que demonstra avanços concretos”, afirmou. Ele reconheceu, porém, que os efeitos mais amplos da CPI demandarão tempo para se consolidarem.

Proposta de Fundo de Custeio

Entre as soluções discutidas, Papy sugeriu a criação de um fundo de custeio permanente para o transporte público, com recursos garantidos mensalmente. A proposta envolveria um “grande acordo” entre as bancadas estadual e federal, além da prefeitura, para assegurar a sustentabilidade do sistema. “Com um fundo vinculado, independentemente de quem esteja na gestão, teremos recursos específicos para melhorar o transporte”, defendeu.

A ideia ganhou força após debates sobre os desafios financeiros do setor, que enfrenta aumento nos custos operacionais e dificuldades na manutenção da frota. Segundo estudo da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), o setor de transporte coletivo no Brasil perdeu cerca de 30% dos passageiros desde 2019, agravando a crise financeira das concessionárias.

Participação Popular na Próxima Fase

A quarta fase da CPI será marcada pela participação direta da população. Na próxima quinta-feira (30), uma audiência pública será realizada na Praça Ary Coelho, das 13h às 17h, para ouvir os usuários do transporte coletivo. Não será necessária inscrição prévia, e a ação será coordenada pelo vereador Coringa. Equipes da CPI também percorrerão terminais de ônibus para coletar depoimentos de passageiros que não puderem comparecer à praça.

“Queremos dar voz à população, que é quem mais sente os impactos das falhas no transporte. Essa etapa é essencial para embasar nosso relatório com as demandas reais dos usuários”, afirmou Lívio. A iniciativa reflete a preocupação da CPI em ampliar o diálogo com a sociedade, especialmente após reclamações frequentes sobre superlotação, atrasos e qualidade dos veículos.

Contexto e Expectativas

A CPI do Transporte Coletivo foi instaurada em 2024, em resposta a denúncias de descumprimento de contratos pelo Consórcio Guaicurus e de falhas na fiscalização por parte da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran). Desde então, a comissão tem ouvido representantes do consórcio, autoridades municipais e especialistas, além de analisar contratos e relatórios financeiros.

Para os vereadores, a CPI representa uma oportunidade de reestruturar o transporte público em Campo Grande, que atende cerca de 200 mil passageiros diariamente. “Estamos comprometidos em buscar soluções legais e efetivas, que tragam benefícios concretos para a população”, concluiu Papy.

A expectativa é que o relatório final da CPI, previsto para os próximos meses, apresente recomendações para aprimorar a gestão do transporte coletivo, incluindo possíveis sanções às empresas e mudanças na legislação municipal.

Redação

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