Hospital não tem sala destinada para limpeza e descontaminação, aumentando o risco de infecção cruzada
A 43ª Promotoria de Justiça de Campo Grande instaurou inquérito civil para investigar o Hospital Infantil São Lucas após relatório da Vigilância Sanitária apontar riscos à saúde e à segurança dos pacientes atendidos na unidade.
Conforme o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), a inspeção da Vigilância Sanitária classificou como insatisfatória a situação do hospital pediátrico após constatar irregularidades que comprometem a segurança assistencial.
O relatório técnico, de janeiro de 2025, aponta falhas críticas na infraestrutura e nos fluxos de higiene, já que o local não tem uma sala de expurgo — ambienta para limpeza, desinfecção e descarte de materiais contaminados.
Sem o local adequado, o hospital realiza a desinfecção de materiais ventilatórios, como máscaras de inalação, no próprio posto de enfermagem. Segundo a vigilância, isto aumenta muito o risco de contaminação cruzada entre pacientes e profissionais.
Setor com maior vulnerabilidade
O setor de gases medicinais foi identificado como a área de maior vulnerabilidade, apresentando falhas graves no suporte à vida. Segundo os fiscais, o estabelecimento não apresentou laudos laboratoriais que comprovem a pureza do ar comprimido medicinal e opera sem sistemas de reserva para vácuo e compressão de ar.
Além disso, não há programas de gerenciamento de antimicrobianos e falta de divulgação de protocolos para MAV (Medicamentos de Alta Vigilância) na farmácia. A climatização do almoxarifado é deficiente e pode comprometer a eficácia dos fármacos estocados.
Diante da situação, o MPMS determinou a expedição de ofícios à Secretaria de Estado de Saúde para que uma nova inspeção técnica seja realizada em até 20 dias úteis, para conferir se as irregularidades críticas foram sanadas.
Paralelamente, o hospital deverá ser notificado pela promotoria para apresentar sua manifestação oficial em dez dias úteis sobre tais falhas. O hospital não se manifestou sobre a abertura do inquérito. O espaço segue aberto.





























