Força-tarefa em MS usa inteligência e tecnologia para punir crimes ambientais, especialmente no Pantanal
A crescente incidência de queimadas ilegais, potencializada pelo clima seco, levou o estado de Mato Grosso do Sul a intensificar a fiscalização ambiental por meio da “Operação Focus”. Conduzida pela Polícia Militar Ambiental (PMA) em parceria com o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), a ação visa coibir o uso irregular do fogo – cuja autorização está suspensa em grande parte do estado no período de maior seca – e responsabilizar os autores de crimes ambientais. A estratégia da “Focus” se destaca pelo uso de inteligência geográfica, que utiliza o cruzamento de dados e imagens de satélite em tempo real para identificar focos de incêndio e direcionar as equipes de fiscalização rapidamente às áreas de infração, sobretudo nas regiões mais vulneráveis do Pantanal. Essa abordagem tecnológica é crucial para flagrar os infratores e garantir a aplicação das medidas administrativas e criminais cabíveis.
Os resultados parciais da “Operação Focus” demonstram a seriedade do problema e a resposta contundente do poder público. Em balanços recentes, a PMA divulgou que as multas aplicadas por incêndios florestais e queimadas ilegais já ultrapassam a casa dos milhões de reais, com autuações que cobrem centenas de hectares de vegetação degradada. Além da aplicação de sanções financeiras elevadas – baseadas no tipo de área queimada (nativa ou agropastoril) – a operação resulta em lavratura de autos de infração, termos de embargo das áreas e, quando necessário, prisão em flagrante e apreensão de equipamentos utilizados no crime. A continuidade da “Focus”, estendida no Bioma Pantanal devido à sua criticidade, não apenas pune a destruição ambiental, mas serve como um alerta constante aos produtores rurais e à população sobre as graves consequências de ignorar a legislação e colocar em risco a integridade dos ecossistemas sul-mato-grossenses.
A necessidade de ações como a “Focus” é um reflexo direto da pressão antrópica e das mudanças climáticas sobre o Bioma. O Pantanal, em particular, enfrenta períodos de seca mais longos e intensos, tornando-o extremamente suscetível a incêndios que, uma vez iniciados, espalham-se de forma devastadora. A identificação de propriedades que realizam desmatamento seguido de queima, muitas vezes para a implantação de pastagem sem a devida licença ambiental, expõe um ciclo de degradação que compromete a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos essenciais. Diante deste cenário, a atuação conjunta das forças de segurança, órgãos ambientais e perícia criminal, como ocorre na “Operação Focus”, é fundamental não só para a aplicação da lei, mas para gerar um laudo pericial detalhado, que determine se o fogo foi acidental ou criminoso, fortalecendo as ações na esfera judicial e o compromisso do estado com a preservação de um de seus patrimônios naturais mais importantes.
Por: Paolo Rossato





























