Paraguai classificou PCC e CV como grupos terroristas após megaoperação no RJ deixar mais de uma centena de mortos e levantar o medo de que criminosos fujam pela fronteira
O prefeito de Bela Vista, Gabriel Boccia (PP), vê com otimismo a decisão do governo do Paraguai em classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como grupos terroristas. A medida acontece depois de megaoperação policial no Rio de Janeiro, que deixou mais de 120 mortos nesta semana. A Argentina, que faz fronteira com Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, também adotou a mesma medida.
Boccia acredita que a decisão pode tornar a fronteira mais segura para a população. A megaoperação na cidade carioca levantou o temor de que chefes das organizações criminosas fujam para os países vizinhos. “A fronteira tem umas peculiaridades e me sinto otimista com a evolução que está acontecendo”, afirma.
O município, localizado a 313 km de Campo Grande, faz divisa com a cidade paraguaia de Bella Vista Norte. A cidade na região sudoeste de Mato Grosso do Sul conta com 21.613 moradores.
O chefe do Executivo municipal critica a atuação do Governo Federal em relação à fronteira de Mato Grosso do Sul. Bela Vista conta com o 10º Regimento de Cavalaria Mecanizado — Regimento Antônio João, voltado para formação de alunos do Curso de Forças Especiais, mas não possui nenhum posto de segurança federal.
O progressista defende que o governo brasileiro também classifique grupos como PCC e CV como organizações criminosas. “O Governo Federal deixa a desejar no que tange aos cuidados com a fronteira. Bela Vista, por exemplo, não tem nenhum posto de segurança federal, seja Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal ou outros”, aponta.
Ponta Porã
Sete governadores, incluindo o de MS, Eduardo Riedel (PP), anunciaram na quinta-feira (30) a criação do Consórcio da Paz, um projeto de integração para troca de apoio entre as unidades da Federação no combate ao crime organizado.
Mato Grosso do Sul tem uma longa faixa de fronteira com o Paraguai e a Bolívia, sendo 45 dos 79 municípios total ou parcialmente inseridos na faixa de fronteira. Ponta Porã, a 313 km de Campo Grande, tem uma área conurbada internacional com a cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero.
O prefeito de Ponta Porã, Eduardo Campos (PSDB), acredita que a medida do Paraguai mostra a intenção de endurecer as políticas de segurança e proteger a população. Questionado se o Brasil deveria adotar a mesma medida, Campos classificou a medida como “complexa”.
“O Brasil tem sua própria dinâmica de segurança e precisa considerar seus contextos específicos. A decisão do Itamaraty de não incluir as facções brasileiras como terroristas, em acordo recente com Argentina e Paraguai, sugere que há uma abordagem cuidadosa em relação ao tema. É importante que o governo brasileiro analise os impactos potenciais e discuta amplamente antes de tomar uma decisão”, pontua.
Fonte: Midiamax





























