Infraestrutura Precária e Filas Crônicas Exigem Mais que Comitês Provisórios na Capital
A saúde pública de Campo Grande enfrenta um quadro crônico de colapso que vai muito além da superlotação sazonal, demonstrando a ineficácia das políticas de gestão e o crônico sucateamento da infraestrutura municipal. Enquanto a cidade ostenta números expressivos de crescimento, o cidadão comum amarga horas e até dias de espera por atendimento básico em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e Centros Regionais. A crítica mais contundente recai sobre a desigualdade no acesso e a fragilidade da atenção primária, que deveria ser a porta de entrada para desafogar os hospitais. No centro desta crise está a instabilidade na liderança: após a exoneração da Secretária de Saúde, Rosana Leite de Melo, em setembro, a pasta crucial da SESAU passou a ser gerida por um Comitê Gestor provisório — coordenado por Ivoni Kanaan Nabhan Pelegrinelli e composto por outros cinco membros com focos em Planejamento, Jurídico e Finanças. Essa gestão colegiada, imposta pela prefeita Adriane Lopes, é vista como um sintoma da incapacidade de se nomear um secretário com autonomia e visão para atacar o problema de frente.
Essa realidade insustentável é resultado direto da crônica ineficiência na aplicação de recursos e na falta de planejamento estratégico a longo prazo. A capital não carece apenas de mais leitos, mas de uma gestão que priorize a eficiência e o controle de gastos. Enquanto a população sofre com a falta de insumos e com a morosidade do atendimento, o modelo de comando por comitê, apesar de buscar uma reorganização interna, gera mais incerteza e lentidão na tomada de decisões urgentes. O impasse na gestão reflete a falta de um titular com força política e técnica para implementar as reformas necessárias. A saúde de Campo Grande não precisa de novas inaugurações de fachada, mas de um investimento pesado na valorização dos profissionais e de uma reengenharia nos processos de trabalho para que a UPA deixe de ser o único refúgio do doente. A promessa de humanização da saúde se choca violentamente com a realidade de um sistema que opera no limite do tolerável, tratando pacientes não como cidadãos, mas como meros números em longas filas de espera, enquanto a prefeitura posterga a nomeação de um comando efetivo para a pasta.
Por: Paola Rossato





























