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Empreiteira alvo por desvios no tapa-buracos tem R$ 147,6 milhões em contratos ativos

Obras de asfalto em Campo Grande. (Divulgação, PMCG)

Construtora Rial executa serviços de manutenção nas ruas de Campo Grande

Alvo do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) por fraudes na execução do serviço de tapa-buracos, a Construtora Rial LTDA possui R$ 147.621.717,54 em contratos de obras em Campo Grande.

A Operação Buraco sem Fim prendeu sete pessoas, entre elas, o engenheiro sócio da Rial Antonio Bittencourt Jacques Pedrosa e seu pai, Antonio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa. Além deles, foram presos o ex-secretário de Obras, Rudi Fiorese; o chefe do serviço de tapa-buracos, Edivaldo Aquino Pereira; o engenheiro da Sisep, Mehdi Talayeh; Fernando de Souza Oliveira; e o ex-servidor Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula.

Conforme o Portal da Transparência do município, são oito contratos ativos para obras e serviços, sendo o mais antigo firmado em 2022.

Desse total, cinco são contratos de serviço, que abrangem o de tapa-buracos, bem como a manutenção em ruas de terra e, também, sinalização (construção de lombadas). O valor total para esses serviços é de R$ 42.050.710,63.

O maior montante refere-se a contratos de obras de recapeamento. A Rial opera, atualmente, em três frentes: região do Anhanduizinho (R$ 52.157.356,45), Imbirussu (R$ 29.783.245,48) e Segredo (R$ 23.630.404,98).

Somente em 2026, são R$ 19,8 milhões em três contratos que fazem parte de uma ampla frente de obras da Prefeitura para recapeamento de vias. Todos contratados via licitação.

O Gecoc afirma que o problema está na execução do contrato. Ou seja, a empreiteira é acusada de não executar o serviço devidamente. Para tudo parecer correto, a Rial contava com participação de servidores da Sisep, que foram exonerados pela prefeita Adriane Lopes (PP) após tudo vir à tona.

A atuação da empreiteira, segundo os investigadores, segue o mesmo modus operandi do que foi apurado na Operação Cascalhos de Areia, em que cinco dos atuais investigados foram denunciados.

A reportagem tenta contato com a Rial desde ontem, mas não obtivemos retorno. O espaço segue aberto.

A defesa de Rudi Fiorese adiantou que irá se informar sobre o processo antes de se pronunciar. Mas o Governo do Estado já o exonerou.

Segundo o advogado de Erik, o advogado Fábio Ferraz (que também defende Fernando de Souza), como Valadão saiu da Sisep há 4 anos, a defesa acredita que a prisão seja por algum fato relacionado à Operação Cascalhos de Areia.

A defesa de Antônio Roberto e do filho Antônio Pedrosa informou que só irá se manifestar quando tiver acesso ao inquérito.

O ex-prefeito Marquinhos Trad (PV), que era líder do Executivo municipal à época do período investigado, declarou, à reportagem do Jornal Midiamax, estar tranquilo. “De ilegalidade contratual, eu afirmo que não existe. Tanto que, na época, todos os órgãos de controle validaram e minhas contas foram aprovadas. Se teve irregularidade na execução, eu não consigo saber, porque não é da alçada do prefeito.”

Operação Buraco sem Fim

Em 12 de maio de 2026, o MPMS deflagrou a Operação Buraco sem Fim, cumprindo sete mandados de prisão e dez de busca e apreensão em Campo Grande, contra um esquema de fraude no serviço de tapa-buracos.

A investigação constatou a existência de uma organização criminosa que atua fraudando, sistematicamente, a execução do serviço de manutenção de vias públicas, por meio da manipulação de medições e da realização de pagamentos indevidos.

Os promotores descobriram pagamentos públicos que não correspondem aos serviços efetivamente prestados, com o propósito de permitir o desvio de dinheiro público, o enriquecimento ilícito dos investigados e, como consequência, a má qualidade das vias públicas municipais.

Levantamento indica que, entre 2018 e 2025, a empresa investigada amealhou contratos e aditivos no valor de R$ 113.702.491,02.

Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram encontrados valores altos em dinheiro vivo, totalizando pelo menos R$ 429 mil. Só no endereço do ex-secretário municipal de Obras Rudi Fiorese, havia R$ 186 mil em espécie. No imóvel de outro alvo, havia R$ 233 mil, também em notas de real.

Fonte: Midiamax

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