“O Calculista” e a Logística do Jeitinho: Como a Fraude Drena a Economia Local
Campo Grande enfrenta, em 2026, uma sofisticada e audaciosa rede de falsificação de documentos públicos que desafia as autoridades policiais e o setor produtivo. O centro das investigações da Polícia Civil (DECOR) é a figura mística e eficiente do “Calculista”, um articulador que transformou a venda de atestados médicos em uma operação logística de precisão. Diferente dos antigos falsários que operavam em esquinas obscuras da antiga rodoviária, o “Calculista” utiliza grupos de mensagens criptografadas e uma tabela de preços “científica”: o valor do documento é calculado com base no número de dias de afastamento, no prestígio do hospital carimbado (UPAs vs. Hospitais Particulares) e na complexidade do CID (Código Internacional de Doenças) escolhido para não levantar suspeitas no RH.
A operação não é amadora. O esquema envolve o furto de blocos de receituários e carimbos de médicos reais — muitos dos quais só descobrem o uso de seus nomes quando são intimados a prestar depoimento sobre pacientes que nunca viram. Em Campo Grande, o “comércio da folga” alimenta um absenteísmo que gera prejuízos milionários ao comércio e à indústria local, criando um ciclo de desconfiança que prejudica o trabalhador que realmente precisa de repouso.
“O ‘Calculista’ vende o que ele chama de tempo, mas na verdade entrega uma bomba relógio. Para cada atestado comprado em um grupo de WhatsApp, há uma vaga de emprego em risco e um médico tendo sua honra profissional sequestrada.” — Trecho de análise sobre crimes de fé pública em MS.
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul tem apertado o cerco com o cruzamento de dados entre o SISREG e as folhas de ponto das empresas. O “mecanismo” da fraude está sendo mapeado através da quebra de sigilo de chaves PIX utilizadas para o pagamento desses documentos. A indignação do empresariado e do setor público é crescente, pois enquanto as UPAs de Campo Grande sofrem com a superlotação real, o mercado paralelo do “Calculista” tenta transformar a saúde em um balcão de negócios espúrios.
Por: Paola Rossato





























