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O Custo da Incerteza Câmbio sob Fogo Cruzado

Ataques ao Irã traz reflexos diretos para o preço do petróleo e a economia do Brasil (Foto: Abedin Taherkenareh/EFE/EPA)

Como a crise no Oriente Médio encarece a safra brasileira e pressiona o dólar no cenário nacional

A escalada bélica no Oriente Médio atinge o coração do agronegócio brasileiro através de um gargalo logístico e produtivo: os fertilizantes. O Brasil importa cerca de 85% dos nutrientes que utiliza em seu solo, e qualquer instabilidade em rotas marítimas cruciais, como o Mar Vermelho e o Canal de Suez, dispara imediatamente os custos de frete internacional. Além disso, o Irã é um player relevante na exportação de ureia e derivados de nitrogênio. Com as sanções e o risco de bloqueios navais, o produtor de soja e milho, inclusive em Mato Grosso do Sul, vê as margens de lucro encolherem antes mesmo da semente chegar à terra, uma vez que o encarecimento dos insumos agrícolas eleva o custo de produção de toda a cadeia alimentar nacional.

Simultaneamente, o mercado financeiro reage ao conflito com o tradicional movimento de “fuga para a qualidade”, onde investidores globais abandonam moedas de países emergentes, como o Real, para buscar refúgio no Dólar e no Ouro. Esse fenômeno gera uma pressão cambial severa: em 2026, com o acirramento das tensões entre EUA, Israel e Irã, o dólar tende a se manter em patamares elevados, encarecendo não apenas as viagens e eletrônicos, mas itens básicos como o trigo e componentes industriais. Para o Banco Central do Brasil, o dólar alto é um combustível para a inflação, o que pode forçar a manutenção da taxa de juros (Selic) em níveis restritivos, dificultando o crédito para o consumo e o investimento das empresas brasileiras.

O cruzamento dessas duas situações cria uma “tempestade perfeita” para a economia doméstica. Enquanto os fertilizantes mais caros pressionam o preço da comida na origem, o dólar valorizado encarece a distribuição e os produtos importados, gerando um choque de oferta que afeta o poder de compra das famílias. O Brasil, embora geograficamente distante dos mísseis, descobre-se economicamente vulnerável; o equilíbrio das contas públicas e a estabilidade do varejo em 2026 passam a depender, mais do que nunca, da capacidade diplomática de contenção de um conflito que parece não ter um fim próximo no horizonte geopolítico.

Por Paola Rossato

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