Publicidade

‘Sem comemoração’: ação reivindica criação da Secretaria Estadual da Mulher em MS

MS é um dos únicos estados do Brasil que ainda não possui o órgão (Foto: Henrique Arakaki/Jornal MIdiamax)

No Dia Internacional da Mulher, populares foram às ruas pedir por mais direitos e igualdade

Populares foram às ruas de Campo Grande na tarde deste domingo (8), em prol de reivindicar direitos das mulheres, além da criação da Secretaria Estadual da Mulher em Mato Grosso do Sul. A ação ocorreu em pleno Dia Internacional da Mulher, no cruzamento das ruas Afonso Pena e Cacildo Arantes.

Além disso, o movimento foi realizado em meio a novos casos de feminicídio no Estado, como Leise Aparecida Cruz, assassinada na última sexta-feira (6), em Anastácio. Mulheres presentes na manifestação reforçaram a falta de segurança para elas em Mato Grosso do Sul.

Rebeca Borges, militante feminista de 27 anos que compõe a Marcha Mundial das Mulheres, destacou a importância da mobilização da população para apoiar medidas como essa.

“A gente tá em um estado em que a gente não se sente segura, Mato Grosso do Sul hoje tá entre os quatro estados mais violentos pras mulheres. Então ações como essa transmitem a importância da mobilização das pessoas, da mobilização popular, da mobilização das mulheres, que são a grande maioria na sociedade, no sentido de que a gente precisa de políticas públicas efetivas”, opina Rebeca.

A militante também afirmou que, apesar do dia 8 de março ser celebrado como o Dia da Mulher, não há o que ser comemorado.

“Eu acho que é uma data que não se comemora. Eu sempre digo que não é o Dia Internacional da Mulher, é o Dia Internacional da Luta das Mulheres, porque infelizmente no mundo todo não há o que se comemorar quando a gente fala no direito das mulheres. O tempo todo a gente tem que reivindicar direitos que já foram conquistados, que a gente perde, tempo todo a gente tem que reivindicar a nossa segurança, a nossa saúde, a nossa educação, então não é um dia para se comemorar nada”, explica.

Militante Rebeca Borges, que compõe a Marcha Mundial das Mulheres (Foto: Henrique Arakaki/Jornal MIdiamax)

Cléo Bortolli, da Secretaria da Mulher Trabalhadora da CUT-MS (Central Única dos Trabalhadores), também acredita que a data não é comemorativa. Segundo Cléo, a população tem papel crucial para reivindicar as melhorias às mulheres.

“Para nós é uma data de luta, para a mulher reviver o que foi do passado, aquelas mulheres que morreram por busca de melhorias […] A gente tem que parar, já está no sexto feminicídio do estado do Mato Grosso do Sul, até quando isso vai continuar? A gente precisa dar um basta nisso, então eu acho que a sociedade precisa vir às ruas mesmo, reivindicar do governo e dos políticos, para implementação de recursos mesmo, para a gente poder ter melhoria para a classe trabalhadora e para as mulheres também”, argumenta.

Cléo Bortolli, da Secretaria da Mulher Trabalhadora da CUT-MS (Foto: Henrique Arakaki/Jornal MIdiamax)

Secretaria busca ‘sociedade de igualdade’

A manifestação, organizada pela vereadora Luiza Ribeiro (PT), tem como viés principal a criação da Secretaria Estadual da Mulher em MS. Segundo a vereadora, a ação ocorreu em lugar estratégico, que conecta o centro da cidade ao centro do poder em Mato Grosso do Sul, já que a reivindicação teria muito a ver com os órgãos públicos.

Luiza Ribeiro pontuou que o MS é um dos poucos estados que ainda não possui a secretaria, e que pretende aumentar a igualdade entre homens e mulheres e diminuir a violência no estado.

“Nós precisamos de uma política mais robusta no sentido de construir uma sociedade com mais igualdade e com menos violência. Mato Grosso do Sul é um dos poucos estados brasileiros que não tem Secretaria Estadual de Mulher”, afirma.

Luiza RIbeiro, vereadora do PT (Foto: Henrique Arakaki/Jornal MIdiamax)

A vereadora destacou a necessidade das políticas públicas serem mais amplas, com um orçamento robusto, não somente para combater a violência, mas para garantir uma qualidade de vida mais igualitária às mulheres em relação aos homens. “A diferença salarial, entre homens e mulheres é 26%. Se nós formos falar da mulher negra e o homem branco, a mulher ganha 36% a menos. Então assim, é uma série de políticas, é a política de garantia da vida dela, né? De uma vida em paz, de respeito. Para construir esse ambiente, nós precisamos de múltiplas políticas”, completa.

Fonte: Midiamax

Outras notícias