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Desvio em projeto de duplicação na BR-262 preocupa investidores em Ribas do Rio Pardo

Defensores da rodovia afirmam que há espaço para duplicação sem alteração da rota. (Foto: Divulgação/Suzano)

O trecho está incluído entre os investimentos da Rota da Celulose

Comerciantes que investiram na economia de Ribas do Rio Pardo têm ‘perdido o sono’ desde que foi anunciado o anteprojeto de duplicação da rodovia BR-262.

O trecho está incluído entre os investimentos da Rota da Celulose, entretanto apresenta desvio do centro comercial, fato este que provocou a insegurança de quem se preparou para acolher a demanda de consumo local, impulsionada pela chegada da gigante da celulose, a Suzano S/A.

Jornal Midiamax ouviu empreendedores que apontam o impacto do contorno viário. Eles consideram que a mudança no sentido da via deve retirar do trecho que hoje cruza o município, a demanda de consumidores de hotéis, restaurantes, borracharias, padarias, além de alterar o plano de desenvolvimento da cidade.

“Pra mim vai ser um caos. Tudo o que eu tenho está aqui no meio da rodovia. Eu vendi uma fazenda pra construir isso aqui. Agora, se for tirar o tráfego daqui de frente, como que eu vou ficar? Você acha que alguém que está indo pra São Paulo, ele vai deixar de passar dessa rodovia aqui pra ficar mais perto? Não vai. Então, vai me preocupar muito. Eu estou realmente sem chão”, disse a empresária Maria Clenir Miranda dos Santos, 72 anos.

Ela comanda hotel, restaurante, loteamentos e um buffet às margens da rodovia. Os empreendimentos são majoritariamente destino de quem não mora na cidade e está em trajeto. “Quem que vai almoçar no meu restaurante? Eu não atendo as pessoas de Ribas. É muito pouco. Eu atendo a rodovia. Então, eu não sei o que eu vou fazer. Pra mim, não dá. Eu vou ficar muito prejudicada mesmo. Eu me sustento, eu vivo da rodovia”, afirmou.

Luísa Evânia Aparecida Ferreira, de 63 anos, proprietária de hotel há 24 anos, estima que a alteração da rota no projeto de duplicação vai afetar diretamente a relação do comércio com empresas que hospedam funcionários no local.

“Pra nós, pra mim, não vai ser uma coisa que vai nos ajudar. Ao contrário, vai nos atrapalhar. Porque a BR tem um fluxo de carro muito grande. E nós que estamos na BR, contamos com muitas pessoas que passam, né? Que vêm hospedar no hotel. Então, pra nós, pelo menos para mim, vou repetir, vai ser um prejuízo muito grande. Trabalhamos com as empresas de transporte de eucalipto, a maioria hospeda com a gente, os colaboradores ficam lá, e para nós vai ser um prejuízo muito grande. Eu, sinceramente, da minha parte, eu não concordo, de jeito nenhum”, disse.

Luísa disse contar com o ‘bom senso’ das autoridades competentes. “Seria muito bom se eles duplicassem, porque espaço tem. O correto seria melhorar para nós na frente do comércio, não nos atrapalhar”, frisou.

Nelson Paschoal Biazzi Junior mora em Ribas do Rio Pardo há mais de duas décadas. Ele diz que a rodovia possui condições para duplicação segura, como se já tivesse sido planejada para isso no passado. Segundo o empresário, diferentemente de Água Clara que a rodovia passa ‘à seco’ no meio da cidade, em Ribas ela dispõe de amplo espaçamento, permitindo até mesmo vias marginais.

“Água Clara, todo mundo sabe que é uma pista única e você não tem como duplicar se não desapropriar os imóveis que estão à margem da rodovia. Agora, Ribas, não. Ribas é absolutamente preparada para essa duplicação. Então, eu acho que seria uma obra absolutamente normal se duplicar ali na frente de Rio Pardo. Então, não estou entendendo o porquê do deslocamento [da via]. Agora, quanto ao prejuízo, aí é absoluto. Pra mim, que tenho imóveis na margem ali, e quando os adquiri, já fiz com esse planejamento. Os adquirir antes da vinda da fábrica, mas agora com a vinda da fábrica não tem como não se duplicar. Agora, desviar por quê? Aquilo vai ficar absolutamente sem razão de ser”, disse o empresário.

O que diz o Governo do Estado?

Procurado pela reportagem, o EPE (Escritório de Parcerias Estratégicas) do Governo do Estado afirmou que o projeto da Rota da Celulose é referencial. Isso significa que está sujeito a ajustes e aperfeiçoamentos ao longo de sua execução.

“Caberá à concessionária, vencedora do leilão, aprofundar os estudos técnicos, obter as licenças e autorizações necessárias (incluindo avaliações de impacto) e submeter o empreendimento aos órgãos competentes, à Agems e à sociedade. A segurança viária é premissa fundamental do projeto”, destacou.

A nota destaca ainda que “a transposição de rodovias no perímetro urbano não configura boa prática de engenharia e, por essa razão, é considerada tecnicamente inviável como alternativa para o trecho em questão”.

“O EPE, na condição de estruturador do projeto, sempre se manteve disponível e receptivo ao diálogo com representantes do poder público e do setor produtivo, reforçando seu compromisso com a transparência e a construção coletiva das soluções”, frisa.

A reportagem buscou também o prefeito de Ribas do Rio Pardo, Roberson Moureira (PSDB). Diferente do que defendem os comerciantes, ele vê o contorno viário como necessário.

“O futuro anel viário será construído prioritariamente para caminhões, bitrens e cargas pesadas.
Extremamente necessário para logística e segurança de quem reside na cidade, pois hoje a BR-262 corta a cidade ao meio, com aproximadamente 14 mil pessoas vivendo de cada lado. Esse trânsito pesado praticamente não utiliza o comércio da rodovia”, disse.

O gestor acredita que os demais veículos devem continuar na atual pista, que, segundo ele, será readequada com vias laterais nas ruas Aniceta Rodrigues de Souza e Gustavo Teixeira.

“[O futuro anel viário] é extremamente necessário, pensando no presente e principalmente no futuro”, declarou o prefeito, que também é engenheiro.

Fonte: Midiamax

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